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Domingo, 19 de Agosto de 2007

A dúvida permanece...!

As questões subjacentes às aposentações por incapacidade, ou à falta delas, melhor dizendo, têm e devem ser exploradas.
Confesso, que cada vez que ouvia uma nova notícia sobre o assunto, em que a resposta da C.G.A. era sempre a mesma, ou seja, "não se encontra absoluta e permanentemente incapaz para exercer as suas funções", ficava absolutamente confusa e intrigada.

Casos de saúde tão diversos e com tanta gravidade e a resposta da C.G.A. era sempre a mesma?

E há mais questões se levantam ... No caso concreto da minha mãe, Manuela Estanqueiro, o pedido de aposentação foi feito em Dezembro de 2005. Só em Novembro de 2006 foi avaliada pela Junta Médica da C.G.A., 11 meses depois. Já a minha mãe tinha passado por uma fase muito má da descoberta da doença e seus tratamentos, de Março a Junho.
A argumentação da C.G.A. baseia-se, ao que se sabe, na remissão completa da doença.
  1. Será que, por uma questão de timing a minha mãe teve o azar de ser observada pela Junta Médica da C.G.A. precisamente quando já estava em remissão completa da Leucemia?
  2. Será que existem prazos para as pessoas serem avaliadas após o pedido de aposentação por incapacidade?
  3. Se a minha mãe tivesse sido avaliada pela Junta Médica da C.G.A. no período de Março a Junho de 2006, quando a doença estava activa, era motivo válido para lhe ser atribuída a aposentação por incapacidade? Se sim, trata-se mesmo de uma questão de timing e de sorte ou azar. Se não, eis a questão; é preciso ter quantos dias de vida para ser atribuída a aposentação por incapacidade?

No caso das pessoas que tiveram a mesma resposta da C.G.A. mas que até foram avaliadas pela Junta médica da C.G.A., nas fases da doença activa ou a manifestar-se, qual será a análise?

  1. Como a doença se manifesta e está em tratamento ou para tratamento, há possibilidade de haver recuperação, talvez seja este o pensamento de quem decide sobre as aposentações. Daí a explicação para o indeferimento das aposentações.
  2. Então, se correr bem o tratamento, quem decidiu sobre o indeferimento, até fica bem visto, porque conseguiu o sucesso e a poupança de uma aposentação.
  3. Se o tratamento não surtiu efeito, quem decidiu sobre o indeferimento, no caso das doenças oncológicas, certamente a esperança de vida é muito curta, nos outros casos, como não é uma questão de vida ou morte, até podem mesmo trabalhar.

E assim se poupa dinheiro ao Estado à custa da doença alheia.

Uma questão muito séria se levanta agora após esta análise.

Quais os pressupostos concretos para se atribuir uma aposentação por incapacidade?

É que dos casos que vieram a público, as pessoas doentes a quem foram negadas a aposentações, apresentavam-se numa situação com vários pontos que podiam ser tidos em consideração:

  1. 30 anos de serviço ou mais;
  2. 55 anos de idade, quando não era 60 ou mais;
  3. padeciam de doenças oncológicas em remissão;
  4. padeciam de doenças oncológicas em actividade;
  5. padeciam de doenças oncológicas associadas a outras doenças oncológicas;
  6. padeciam de doenças oncológicas associadas a doenças psicológicas e psiquiátricas;
  7. padeciam de doenças psiquiátricas e psicológicas;
  8. apresentavam sinais evidentes das doenças que as acompanhavam (aos olhos de leigos como eu)
  9. apresentavam pela descrição (a ser verdade) sinais evidentes de incapacidade para o trabalho;
  10. apresentavam sinais evidentes de desgaste e terror pela situação vivida, da negação ou dos sucessivos indeferimentos da C.G.A. ou Segurança social.
  11. verem-se obrigadas a trabalhar para não perder o seu ganha pão;
  12. verem-se humilhadas a terem que trabalhar sem capacidades, só porque a "Lei Obriga"

Mas, a Lei não obriga a nada disto. Quando há decisões mal ponderadas, ou tomadas com base em pressupostos que não sejam os da análise da doença, aí sim, o caminho é percorrido pelos trilhos errados e as pessoas pagam com a sua saúde por estes percalços.

  1. A Lei obriga a trabalhar pessoas que de forma fraudulenta tentam obter as aposentações por incapacidade.
  2. A Lei permite, a quem tem doenças oncológicas, poder pedir aposentação por incapacidade com um beneficio de 50% do tempo de serviço que resta a acumular ao tempo de serviço prestado.
  3. A Lei não obriga pessoas incapazes a trabalhar.

Os "humanos" é que permitem que estas injustiças aconteçam.

Certamente, aos olhos de leigos como eu, estes são motivos bem válidos para a atribuição das aposentações por incapacidade.

Como é que aos olhos de profissionais que decidem a vida dos outros, sobre a saúde e a doença na pele dos outros, as pessoas com um grau de incapacidade tão grande, são obrigadas a trabalhar?

3 comentários:

Manuelinho disse...

É óbvio que a nossa omissão e a falta de exercício de cidadania está na origem de tudo. Lamento o caso da sua mãe, como lamento que isto aconteça numa sociedade dita democrática. Temos porém de ser nós a tomar as rédeas, pressionando os governos para que tal não se volte a repetir. Os governos só fazem aquilo que as massas deixam, concorda? Infelizmente reconheço que vivemos numa sociedade onde cada vez mais cada um olha exclusivamente para o seu umbigo. Estou obviamente solidário com a sua luta.
Um abraço

Paula Barros disse...

Na situação actual da negação de reformas por incapacidade, temos de exigir e em voz bem alta que TUDO mude.
Amigos: Há quanto tempo o 1º Ministro disse que ia actuar? houve inclusivamente uma deliberação do Conselho De Ministros.....há quanto tempo?....
Eles - o Governo - tem de actuar efectivamente, estará apenas a actuar numa situação em que 'concordou' que havia problemas!
As férias acabaram. Eles esqueceram-se? TEMOS QUE OS LEMBRAR E NÃO PODEMOS DEIXAR QUE A SITUAÇÃO PRESENTE SE ARRASTE.
Quantas pessoas estão, como eu à espera, que a legislação mude para, mais uma vez pedir reforma por incapacidade,numa situação de equilíbrio e verdade?
Eles esqueceram, ou estão a deixar este assunto para baixa prioridade?
NÓS NÃO ESQUECEMOS.
Façamo-nos lembrar de todas as formas que encontramos.
Eles que não esperem que desistemos. Somos muitos, somos cidadãos e sobretudo somos PESSOAS.

Paula Barros

paula montez disse...

http://www.petitiononline.com/CGTPUGT/petition.html

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Aveiro : Dada como apta para o serviço
Professora com leucemia morre à espera da reforma



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.
APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS
A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.
CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS
Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.
Carla Pacheco



Lote de terreno 815m2

Lote, com 815 m2, a 5 minutos de Aveiro, com projecto de arquitecto para moradia R/C e 1º Andar. 55000€.

963197737

Teresa Silva (verdadinha)













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