Confesso, que cada vez que ouvia uma nova notícia sobre o assunto, em que a resposta da C.G.A. era sempre a mesma, ou seja, "não se encontra absoluta e permanentemente incapaz para exercer as suas funções", ficava absolutamente confusa e intrigada.
Casos de saúde tão diversos e com tanta gravidade e a resposta da C.G.A. era sempre a mesma?
- Será que, por uma questão de timing a minha mãe teve o azar de ser observada pela Junta Médica da C.G.A. precisamente quando já estava em remissão completa da Leucemia?
- Será que existem prazos para as pessoas serem avaliadas após o pedido de aposentação por incapacidade?
- Se a minha mãe tivesse sido avaliada pela Junta Médica da C.G.A. no período de Março a Junho de 2006, quando a doença estava activa, era motivo válido para lhe ser atribuída a aposentação por incapacidade? Se sim, trata-se mesmo de uma questão de timing e de sorte ou azar. Se não, eis a questão; é preciso ter quantos dias de vida para ser atribuída a aposentação por incapacidade?
No caso das pessoas que tiveram a mesma resposta da C.G.A. mas que até foram avaliadas pela Junta médica da C.G.A., nas fases da doença activa ou a manifestar-se, qual será a análise?
- Como a doença se manifesta e está em tratamento ou para tratamento, há possibilidade de haver recuperação, talvez seja este o pensamento de quem decide sobre as aposentações. Daí a explicação para o indeferimento das aposentações.
- Então, se correr bem o tratamento, quem decidiu sobre o indeferimento, até fica bem visto, porque conseguiu o sucesso e a poupança de uma aposentação.
- Se o tratamento não surtiu efeito, quem decidiu sobre o indeferimento, no caso das doenças oncológicas, certamente a esperança de vida é muito curta, nos outros casos, como não é uma questão de vida ou morte, até podem mesmo trabalhar.
E assim se poupa dinheiro ao Estado à custa da doença alheia.
Uma questão muito séria se levanta agora após esta análise.
Quais os pressupostos concretos para se atribuir uma aposentação por incapacidade?
É que dos casos que vieram a público, as pessoas doentes a quem foram negadas a aposentações, apresentavam-se numa situação com vários pontos que podiam ser tidos em consideração:
- 30 anos de serviço ou mais;
- 55 anos de idade, quando não era 60 ou mais;
- padeciam de doenças oncológicas em remissão;
- padeciam de doenças oncológicas em actividade;
- padeciam de doenças oncológicas associadas a outras doenças oncológicas;
- padeciam de doenças oncológicas associadas a doenças psicológicas e psiquiátricas;
- padeciam de doenças psiquiátricas e psicológicas;
- apresentavam sinais evidentes das doenças que as acompanhavam (aos olhos de leigos como eu)
- apresentavam pela descrição (a ser verdade) sinais evidentes de incapacidade para o trabalho;
- apresentavam sinais evidentes de desgaste e terror pela situação vivida, da negação ou dos sucessivos indeferimentos da C.G.A. ou Segurança social.
- verem-se obrigadas a trabalhar para não perder o seu ganha pão;
- verem-se humilhadas a terem que trabalhar sem capacidades, só porque a "Lei Obriga"
Mas, a Lei não obriga a nada disto. Quando há decisões mal ponderadas, ou tomadas com base em pressupostos que não sejam os da análise da doença, aí sim, o caminho é percorrido pelos trilhos errados e as pessoas pagam com a sua saúde por estes percalços.
- A Lei obriga a trabalhar pessoas que de forma fraudulenta tentam obter as aposentações por incapacidade.
- A Lei permite, a quem tem doenças oncológicas, poder pedir aposentação por incapacidade com um beneficio de 50% do tempo de serviço que resta a acumular ao tempo de serviço prestado.
- A Lei não obriga pessoas incapazes a trabalhar.
Os "humanos" é que permitem que estas injustiças aconteçam.
Certamente, aos olhos de leigos como eu, estes são motivos bem válidos para a atribuição das aposentações por incapacidade.
Como é que aos olhos de profissionais que decidem a vida dos outros, sobre a saúde e a doença na pele dos outros, as pessoas com um grau de incapacidade tão grande, são obrigadas a trabalhar?
3 comentários:
É óbvio que a nossa omissão e a falta de exercício de cidadania está na origem de tudo. Lamento o caso da sua mãe, como lamento que isto aconteça numa sociedade dita democrática. Temos porém de ser nós a tomar as rédeas, pressionando os governos para que tal não se volte a repetir. Os governos só fazem aquilo que as massas deixam, concorda? Infelizmente reconheço que vivemos numa sociedade onde cada vez mais cada um olha exclusivamente para o seu umbigo. Estou obviamente solidário com a sua luta.
Um abraço
Na situação actual da negação de reformas por incapacidade, temos de exigir e em voz bem alta que TUDO mude.
Amigos: Há quanto tempo o 1º Ministro disse que ia actuar? houve inclusivamente uma deliberação do Conselho De Ministros.....há quanto tempo?....
Eles - o Governo - tem de actuar efectivamente, estará apenas a actuar numa situação em que 'concordou' que havia problemas!
As férias acabaram. Eles esqueceram-se? TEMOS QUE OS LEMBRAR E NÃO PODEMOS DEIXAR QUE A SITUAÇÃO PRESENTE SE ARRASTE.
Quantas pessoas estão, como eu à espera, que a legislação mude para, mais uma vez pedir reforma por incapacidade,numa situação de equilíbrio e verdade?
Eles esqueceram, ou estão a deixar este assunto para baixa prioridade?
NÓS NÃO ESQUECEMOS.
Façamo-nos lembrar de todas as formas que encontramos.
Eles que não esperem que desistemos. Somos muitos, somos cidadãos e sobretudo somos PESSOAS.
Paula Barros
http://www.petitiononline.com/CGTPUGT/petition.html
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