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Domingo, 23 de Setembro de 2007

testemunho

Olá sou a Conceição marques, mais uma das vitimas das atrocidades cometidas pela caixa geral de aposentações!
Sou doente oncológica a quem foram diagnosticados três cancros, um há dez anos e tive de retirar o peito direito, quatro meses depois um cancro no útero obrigou-me a retirar o mesmo e os ovários, fui sujeita a tratamentos de quimioterapia durante nove meses, e só quem sentiu ou acompanhou alguém sabe o sofrimento e a angústia a porque passamos, no entanto nunca deixei de trabalhar nem mesmo nos dias em que era sujeita aos tratamentos regressava à escola onde os alunos e colegas me davam força para continuar a trabalhar e a acreditar que iria vencer. Quando tudo parecia bem, seis anos depois apareceu-me um cancro na parte esquerda da língua, um espinocelular, dos mais evasivos que há. Fui sujeita a duas cirurgias, ma no dia 7 e outra no dia 14 de Abril de 2004, a última das quais reconstrutiva para conseguir continuar a falar, embora com muitas dificuldades e limitações, uma vez que devido “ às sequelas de excisão de parte da língua sem evidência de doença activa no momento”justificação dada pela junta medica a que fui sujeita no dia 2/8/06 para me considerar “absolutamente e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções”, decisão que viria a ser alterada posteriormente por alguém, como podem ver pelo documento, com uma justificação injustificável.
Pedi uma junta de revisão que me foi recusada e chamaram-me para uma ordinária dia 2 de Agosto de 2007. Ai comprovei tudo o que era dito por diversas pessoas, a forma como eram tratadas, como “criminosos” a quem tinham de identificar e pedir relatórios médicos, não chegam a ser os dois minutos que as pessoas dizem. Eu estive um pouco mais, pois o presidente (medico) – eu pedi para se identificarem – disse-me que não decidiam nada, só recebiam os documentos, Lisboa e que decidia. Quando lhes perguntei o que devia fazer uma vez que estava de ferias o mesmo senhor respondeu-me “continue de férias e faça de conta que não veio cá “.
Espanto dos espantos, com data de 9 de Agosto recebo uma comunicação da C G A que me tinha sido marcada uma consulta de otorrinolaringologia, precisamente para o mesmo medico que esquecendo o juramento Hipócrates, de respeito pela vida e dignidade humanas manda doentes cancerosos “lavar os ouvidos ou arranjar os dentes” e voltar ao serviço. Porque será que vou a esta consulta quando nunca andei nessa especialidade? Quem for minimamente inteligente vê que tem tudo a ver.
Quando me foi detectado o cancro da língua fui imediatamente enviada para cirurgia maxilo fácil consulta que ainda mantenho a par de oncologia, porque os próprios oncologistas reconhecem não estar preparados para avaliar e acompanhar a situação.
Que diferença de postura das duas juntas medicas. Na primeira posso dizer que estavam profissionais, pela forma e sensibilidade com que analisaram os documentos e pela conversa que mantivemos durante longo tempo.
E que infelizmente, para alguns, os doentes oncológicos são olhados como alvos a abater, porque ficam caros ao sistema, e os professores devem dar a sua vida e dedicar a sua morte ao sistema, ficam mais baratos mortos e talvez contribuam para as estatísticas do sucesso na educação.
Sinto-me repugnada e revoltada pela forma indigna, sem respeito e humanidade com que tenho sido tratada vou lutar ate ao fim, ate a ultima palavra que consiga pronunciar contra a injustiça.
Com mais coragem me sinto pelo apoio que me tem sido demonstrado por amigos, colegas e pessoas anónimas. Também pelos meus alunos e pais que no primeiro dia de aulas, quando por duas vezes deixei de conseguir articular as palavras e as dores me fizeram chorar, me acarinharam, me demonstraram a sua sensibilidade e indignação. Foram solidários e disseram força professora, lute!
Enfrentei os cancros sem medo, vou lutar sem medo contra tanta desumanidade.
Todos juntos seremos capazes de denunciar estas situações.
Depois envio documentos.Um abraço solidario

11 comentários:

Moriae disse...

Conceição, força... Tem a minha profunda admiração e solidariedade. Tenho acompanhado o caso dentro do possível. Se achar bem, tentarei passar a palavra. Para já, se achar bem, transcrevo as suas palavras e envio por mail a amigos. Se quiser participar no blogue "A Sinistra Ministra", seria com muito gosto. Não sei o seu mail por isso, não posso enviar convite.
Um abraço,
Margarida

brit com disse...

Vinha agora mesmo colocar aqui este testemunho que recebi por mail... Afinal foi retirado deste blog.
Conceição, no que puder ajudar...
bjs

Méon disse...

Há um clamor que cresce por este país fora contra os "estadistas" que ignoram o país real.
Engrossemos esta corrente. Mas, atenção: quando o descontentamento social cresce, aumentam também os perigos de aparecimento de "salvadores" da Pátria - veja-se o episódio recente do homem de Gaia e das forças que se acoitam atrás dele, como já denunciou Pacheco Pereira no Abrupto.
Volto à Conceição para lhe dizer que tentarei divulgar o que puder desta sua triste história - que pode ser a nossa história amanhã...

Coragem! Obrigado pelo seu testemunho!

avelaneiraflorida disse...

TODA A FORÇA! E CORAGEM!

Com este testemunho eu entrarei cada dia na sala de aula pensando em si! E di-lo-ei aos meus alunos!!!

Que a ESPERANÇA NÂO MORRA!!!

Moriae disse...

Conceição, o meu companheiro Pordentro (do blog a Sinistra) antecipou-se e publicou o seu depoimento. Espero que concorde. Um abraço,
M.

butterfly disse...

Indignação e vergonha foi o que senti ao ler o seu testemunho.
Gostaria de poder publicar o seu endereço de blog, no meu. Pode ser que ajude a divulgar mais uma das muitas injustiças que diariamente são cometidas, neste país que tanto amo.
Vou passando por aqui, se me permitir.
Um abraço

A VERDADE ACIMA DE TUDO disse...

Claro que estamos disponíveis para todas as ajudas.
Neste caso a divulgação só pode favorecer.
Apareça sempre, pois as pessoas que estão prejudicadas, a trabalhar doentes, merecem todo o apoio.
Neste momento somos directamente 3 pessoas a divulgar, eu represento a minha mãe, que infelizmente já não está cá para se defender, a Paula Barros e a Conceição Marques.
Temos ainda pessoas que trabalham directa ou indirectamentye para nos ajudar na divulgação.
Todas as ajudas são poucas para mostrar toda a indignação sofrida por nós.
Verdadinha

Xana disse...

Seria talvez positivo, este blog inundar o país para se conhecer a vergonha nacional.
Minha profunda solidariedade.
Coragem querida Conceição! Obrigado pelo seu testemunho!
Um abraço

PS:Transcrevo as suas palavras para envio de mail a amigos.

MiE disse...

Conceição desejo-lhe rápidas melhoras e que não deixe cair os braços. que continue a lutar.

Admiro a sua coragem.

Vivemos num país de injustiças onde situações como a sua e de outras pessoas continuam a acontecer. É lamentável tanta falta de sensibilidade e de respeito pelo ser Humano.

É uma vergonha para todos os Portugueses.

Deixo-lhe um beijo.

legivel disse...

... Portugal no seu melhor(?!)
Casos como este, envergonham-me quando fora do país perguntam a minha origem. Porque na verdade, o nosso país tem uma alta taxa de descrédito no estrangeiro, sobretudo no que se refere às coisas do social. Solidarizo-me consigo, naturalmente.

Angelo disse...

Conceição, conte com a minha solidariedade. Efectivamente neste Pais ja nada me supreende, alias o ultimo comentario que ouvi falar é que a Conceição foi suspensa da actividade, pelas suas declarações, infelismente a comunicação social esta limitada a certas noticias, por isso não sei se é verdade. A união faz a força, o tribunal Europeu bem como os direitos humanos têm mostrado poder dentro da UE, é preciso denunciar estes abusos. Mantenha-nos informados, coragem.
Um abraço forte
Angelo

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Não era uma professora, era a MINHA MÃE...! :(

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Aveiro : Dada como apta para o serviço
Professora com leucemia morre à espera da reforma



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.
APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS
A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.
CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS
Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.
Carla Pacheco



Lote de terreno 815m2

Lote, com 815 m2, a 5 minutos de Aveiro, com projecto de arquitecto para moradia R/C e 1º Andar. 55000€.

963197737

Teresa Silva (verdadinha)













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