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Quinta-feira, 24 de Janeiro de 2008

AFINAL O QUE DARA A APOSENTAÇAO???talvez a Morte...

Leucemia não dá direito a reforma


Para Odete L. o melhor cenário é fazer quimioterapia toda a vida. Se parar, a leucemia crónica agrava-se, se a doença entrar em remissão total, vai acabar por voltar e aí será fatal. «É professora!», comentaram na Junta médica. Decisão: «Pedido indeferido. Não está absoluta e permanentemente incapaz» «Reforma só se estiver a morrer»

Entre os tratamentos de quimioterapia, um cansaço extremo e permanente e uma doença que dura há quase dez anos e não tem cura, Odete L. decidiu, a conselho dos médicos que a acompanham, pedir a aposentação por invalidez. Esta professora de 46 anos tem uma leucemia linfocítica crónica. Isto equivale a dizer que a leucemia não tem cura e que terá de fazer tratamentos de quimioterapia toda a vida, caso contrário a doença evolui para uma leucemia mais grave. «Indeferido» - foi o veredicto da Caixa Geral de Aposentações.
A resposta ao pedido de aposentação chegou primeiro via telefone e esta terça-feira por escrito e não deixa grandes dúvidas: «Não se encontra absoluta e permanentemente incapaz para o exercício de funções». «Tenho a impressão de que eles não estão para me aturar porque sou muito nova», desabafa ao PortugalDiário. «Mas falei com a minha médica e vou pedir uma junta de revisão», garante.
«A senhora não quer é trabalhar» Com cancro e obrigadas a trabalhar
Da angústia da incerteza ao choque da verdade
Professora num colégio particular há 19 anos, Odete L. fala do martírio que tem sido a sua vida nos últimos tempos: dois anos em exames, consultas permanentes e até internamentos sem conseguirem, no Hospital de Coimbra, fazer um diagnóstico; um primeiro diagnóstico em 2001, no Hospital da Figueira da Foz, com a prescrição de tratamento de quimioterapia; a confirmação de um linfoma com infiltração de medula óssea feita pelo IPO de Lisboa; o início de um tratamento experimental; a primeira baixa médica de nove meses; uma operação em 2005 para histeroctomia total; uma depressão; mais reavaliações médicas, sempre os mesmos sintomas; nova baixa médica no início de 2007; repouso absoluto, mais tratamentos com quimioterapia e cortisona.
Em Junho de 2007, como «as faltas ao serviço e as baixas médicas estavam a ser muitas» e os sintomas persistiam, decidiu enviar um pedido de aposentação por invalidez à Caixa Geral de Aposentações.
Dois a três minutos na junta médica da CGA
Em Setembro do ano passado, esta professora acabou um dos tratamentos e a doença ficou em remissão parcial. «Foi o meu mal», relembra. Em Outubro foi finalmente convocada para a junta médica da CGA em Aveiro. «Consegui estar no gabinete cerca de 2 a 3 minutos, pediram-me o relatório médico e perguntaram-me por que estava de baixa médica. O mais interessante foi a afirmação feita pela sra, não sei se doutora, se funcionária: «É professora», conta Odete L. ao PortugalDiário.
Esta professora tem síndroma vertiginoso, dores intensas nos ossos (até nos tornozelos), nas articulações e nos músculos e tem dias em que só consegue estar deitada e nem uma refeição consegue fazer, sente um cansaço extremo, audível e visível até enquanto está a falar, adenopatias cervicais bilaterais, sudorese e infecções virais constantes. Das três vezes que foi convocada pelas juntas medicas de verificação de baixa da segurança social foi considerada não apta para trabalhar.
Apesar de estar a receber actualmente 65 por cento do vencimento, por estar de baixa médica, Odete L. insiste que iria receber ainda menos se conseguisse obter a aposentação por invalidez. «Eles não percebem isso?».
«O barulho da escola atormenta-me a cabeça, sabe?, tenho de estar em sossego, senão não aguento». A esperança de Odete reside apenas na junta médica de revisão da CGA porque a doença, essa, não vai desaparecer. Aliás, adianta, «quando há uma remissão total da doença, ela acaba sempre por voltar e quando volta é fatal». in PD

1 comentários:

Joaquim Ferreira disse...

É COM DOR QUE LEIO ESTAS PALAVRAS... Sei do que fala. Minha mãe teve a Infeliz sorte de sofrer da mesma doença. mas por macabro que pareça, hoje digo, treve a feliz sorte de a dcontrair no tempo da DITADURA. nesse tempo, ninguém a obrigava a trabalhar até à Morte, como a Manuela Estanqueiro. Escrevi isso em http://ferreirablog.blogs.sapo.pt/8138.html com o título "Professora Com Leucemia Obrigada a Trabalhar até à Morte". Pesquisem, leiam, indignem-se... Somos mais de 100.000 professores. Haveremos de fazer ouvir a nosso "Grito do Ipiranga"! CORAGEM. FORÇA... MULHERES E HOMENS VALENTES...!

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Aveiro : Dada como apta para o serviço
Professora com leucemia morre à espera da reforma



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.
APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS
A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.
CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS
Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.
Carla Pacheco



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Teresa Silva (verdadinha)













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