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Quinta-feira, 17 de Janeiro de 2008

AS "PODEROSAS" juntas medicas

Esta tem sido a minha vida desde 1999...Peço imensa desculpa pelo tamanho do texto, mas só assim poderão ter realmente noção do que tenho passado...Depois de ter andado cerca de 2 anos em consultas, exames, etc...no Centro Hospitalar dos Covões, Coimbra, fui internada em 1999 no serviço de Infecciosas por febre, emagrecimento, sudorese e astenia marcada. Uma semana depois tive alta com o seguinte diagnóstico: “ Síndrome da fadiga crónica???? / Mononucleose infecciosa??? “, ou seja, nada de concreto. Fui mantida em consultas e em vigilância, mas sem qualquer terapêutica.Em Maio de 2001, como houve agravamento do meu estado, com febres prolongadas, astenia marcada e sudorese, fui reavaliada analíticamente e proposta biópsia de adenopatia cervical, para a qual aguardei ser convocada até Setembro, e nada! Foi então que, como o meu estado clínico se mantinha, recorri à Urgência do Hospital Distrital da Figueira da Foz tendo de imediato feito biópsia ganglionar. Chegou então o veredito: LINFOMA LINFOCÍTICO (NÃO HODGKIN) células B, estadio IV – B. Tratando-se de um linfoma indolente com sintomas B, a proposta terapêutica foi a de realização de 4 Ciclos de Chop (quimioterapia), reavaliaçaõ, e caso não entrasse em remissão, sería proposta para autotransplante de medula óssea.Fiquei em estado de choque, pois durante 2 anos de consultas, internamento, exames radiológicos (Tacs, ecografias,etc..) no Centro Hospitalar dos Covões, nada me foi diagnosticado em concreto e, no Hospital Distrital da Figueira da Foz, o diagnostico foi feito em cerca de 15 dias. Decidi recorrer a uma segunda opinião, sugerida pela médica do serviço de Oncologia do H. Figueira. Marquei uma consulta particular no Professor Dr. Manuel Abecasis, Hematologista e, na altura Director do IPO em Lisboa. Perante a história clínica fui examinada e o diagnóstico confirmado, LINFOMA LINFOCÍTICO (NÃO HODGKIN) B, difuso, com infiltração da medula óssea.. Como opção de tratamento o Dr. Abecasis sugeríu em primeira linha um tratamento com Clorambucil (quimioterapia oral). Se, após um tratamento inicial de seis semanas não se verificasse uma resposta adequada sería legítimo considerar um esquema de poliquimioterapia mais intensivo, como o CHOP. Dado que se tratava de um linfoma indolente e sem cura possível, segundo o Dr. Abecasis, não existíam na altura indicações definidas para o tratamento desta doença, sería portanto um tratamento erxperimental.Iniciei tratamento a 15 de Novembro de 2001 e terminei em Abril de 2002. Clínicamente manti a astenia, sudorese e anorexia, apesar das adenopatias terem diminuído. Repeti Medulograma, Biópsia óssea e Fenotipagem, mantendo o nível da biópsia óssea sinais de infiltração linfomatosa.Fui novamente avaliada pelo Prof. Dr. Manuel Abecasis, que, tal como a médica no Hospital da Figueira concluiu, que, apesar das adenopatias cervicais periféricas terem dinimuído, persistia a infiltração medular, a astenia e a sudorese nocturna. Mais uma vez a decisão da melhor estratégia a seguír não estava claramente estabelecida, segundo o Prof. Dr. Abecasis. Sugeríu inicialmente complementar o tratamento com Rituximab. No entanto, segundo o Prof., não havía evidência inequívoca de aumento da sobrevida, embora o intervalo livre de doença pudesse ser mais prolongado. Em vez desse medicamento achou melhor manter-me sob vigilância, com repetição da biópsia óssea de seis em seis meses, ou antes, se surgissem sinais de progressão da doença. Se tal sucedesse, optaria por novo tratamento, com a associação CHOP mais Rituximab (Quimioterapia). Na altura, estive de baixa médica pela Segurança Social de Outubro de 2001 a Junho 2002. Sou Professora no Ensino Particular e Cooperativo há 19 anos, não sou Funcionária Pública, como tal não tenho ADSE, mas apenas Segurança Social. Entrei ao serviço em finais de Junho, apesar do cansaço, dores ósseas, dores musculares, infecções virais de toda a espécie, etc, etc,etc....Lá me fui aguentando a dar as minhas aulas, reuniões, etc com muito sacrifíco, esperando anciosamente a hora de regressar a casa para me deitar. Em casa nada fazía, por vezes nem uma simples refeição conseguía fazer, pois não tínha forças para me segurar de pé.O tempo foi passando e, em Janeiro de 2005 o cansaço acentuado mantínha-se e as microadenopatias cervicais bilaterais também. Como tal não chegasse, na ecografia abdominal e pélvica realizada, tambem me foi detectado uma massa anexial no ovário esquerdo, surgindo a dúvida da relação ou não com o Linfoma. Fui de imediato orientada para a Ginecologia, vindo a ser operada em Julho de 2005. Tratou-se apenas de um tumor benigno no ovário, tendo na altura feito logo uma histerectomia total.Em Outubro de 2005, estava equilibrada hematológicamente mas as adenopatias cervicais continuavam. Em meados de 2006, fui de novo reavaliada por persistência dos sintomas, fadiga, sudorese e adenopatias cervicais. Entrei então em depressão, pois sabía que iría passar por tudo outra vez: medulograma, fenotipagem, etc...muito preocupada com recidiva do meu linfoma. Repetí todos os exames habituais tendo então sido classificado na fenotipagem da Medula, com uma LEUCEMIA LINFOCÍTICA CRÓNICA ( entidade clínica com comportamento e evolução semelhante à anteriormente diagnosticada). Apresentava sintomatologia tipo B, referente a esta entidade patológica, tais como cansaço acentuado.Apesar do cansaço continuei a trabalhar, tendo na altura entregue no Colégio onde lecciono um atestado médico, solicitando que exercesse a minha profissão apenas e sempre que possível durante o período da manhã. Claro que, nem sempre foi possível, pois as reuniões teríam que ser sempre ao final do dia de aulas. Lá me fui aguentando conforme podía, leccionava as minhas aulas no período da manhã, vínha para casa, pois resido a cerca de 10 km do Colégio, descansava e voltava ao Colégio ao final do dia sempre que tínha reuniões.No iníco de 2007, segundo opinião conjunta, da minha médica e do Prof. Dr. M. Abecasis, fui aconselhada a fazer algum tempo de repouso absoluto na esperança de alguma melhoria a nível de valores da Medula Óssea. A 3 de Janeiro de 2007 entrei de Baixa Médica. Fui convocada pela Comissão de Verificação da Segurança Social de Coimbra, para uma Junta Médica, a 15 de Março. Deliberaçaõ positiva, dada a situação clínica.Em Abril do corrente ano, fiz novamente TAC cervical, abdominal e pélvica, tendo sido convocada de imediato pela minha médica para Consulta de Oncologia a 12 de Abril, na qual me foi dado a conhecer novo tratamento a realizar, uma vez que houve evolução do estado clínico. Novo tratamento de Quimioterapia Oral, com Clorambucil e Prednisolona (cortisona), não havendo certezas de remissão. Tratamento este a realizar durante 5 dias consecutivos (8 comprimidos diários em jejum), portanto uma mistura de quimioterapia e cortisona, com intervalos de 28 dias. Iniciei o tratamento a 13 de Abril, tendo tido vómitos e náuseas como principais efeitos secundários.A 12 de Junho fui novamente convocada para a Comissão de Verificação da Segurança Social em Coimbra para reavaliação, conclusão: “ subsiste a incapacidade temporária para o trabalho...”. Após uma breve troca de impressões com esta junta de verificação, decidi que íria enviar o pedido para uma Aposentação por Invalidez à Caixa Geral de Aposentações, ao abrigo do Decreto-lei 173/2001 de 31 de Maio. As faltas ao serviço e as baixas médicas sucessivas estavam a ser muitas.Continuei assim de baixa médica, tendo terminado o tratamento em Setembro, altura em que fui novamente (3 meses depois) chamada à Comissão de Verificação da Baixa, a 6 de Setembro. Conclusão: “subsiste a incapacidade temporária para o trabalho...”A 24 de Outubro fui finalmente convocada para a Junta Médica da Cga em Aveiro. Consegui estar no gabinete cerca de 2/3 minutos, pedíram-me relatório médico e perguntaram-me porque estava de baixa medica???!! O mais interessante no meio deste “longo” diálogo foi a afirmação feita pela Sra, não sei se Doutora se funcionária, pois ninguem está identificado, “PROFESSORA!!!!”. Pois, aqui fica a minha revolta, quantos já faleceram por doença Oncológica, sem lhes terem dado a Aposentação? A minha colega de Aveiro, Manuela Estanqueiro, o prof. de Braga, e muitos mais que, com certeza não apareceram na comunicação social... Será que esta Junta Médica de Aveiro tem algo contra os Professores? Não somos seres humanos??? Então porque a afirmação “Professora???”, pois foram eles que tambem recusaram a minha colega Manuela Estanqueiro de certeza...Já não basta a doença ainda temos que ouvir e passar por isto???Enfim, sou mais uma daquelas consideradas “APTA A TRABALHAR”...Uma vez que todos os sintomas da doença continuam, as adenopatias cervicais bilaterais (até sindrome vertiginoso fiz), as dores ósseas e musculares, tudo, tudo ,tudo contínua... Pergunto como vou trabalhar nestas condições, será que tambem tenho que ír para a comunicação social dar a conhecer a todo o Portugal a minha situação cliníca? É triste... em que País vivemos?Desde já o meu obrigado por terem perdido o vosso tempo a ler este longo texto mas, foi apenas um desabafo..

1:39

1 comentários:

Siena disse...

Olá,

Li o seu post com muito interesse. Fui aconselhada a marcar consulta de Hematologia com o Dr. Manuel Abecassis, mas ainda não consegui descobrir onde é que ele dá consultas privadas. Pode ajudar-me?

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Aveiro : Dada como apta para o serviço
Professora com leucemia morre à espera da reforma



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.
APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS
A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.
CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS
Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.
Carla Pacheco



Lote de terreno 815m2

Lote, com 815 m2, a 5 minutos de Aveiro, com projecto de arquitecto para moradia R/C e 1º Andar. 55000€.

963197737

Teresa Silva (verdadinha)













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