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Domingo, 27 de Janeiro de 2008

Que é o cancro?

A vida começa sempre no interior duma célula, que se divide e se multiplica antes de se especializar. As células normais funcionam entre elas de maneira sincronizada e harmoniosa. Unem-se para formar os tecidos, bem diferenciados, que formarão, eles próprios, os órgãos do corpo.

A doença cancerosa aparece quando uma parte das células normais começa a transformar-se e dividir-se de forma anárquica, para se tornarem malignas ou perigosas.

Se os mecanismos de defesa do corpo não são capazes de destruir estas células doentes, o seu número continua a aumentar para formar um tumor, de início bem delimitado.

Com o tempo, no entanto, o tumor vai invadir os tecidos vizinhos, para os destruir progressivamente.

As células cancerosas podem, igualmente, utilizar a via linfática ou sanguínea para atingir regiões do corpo muito afastadas do seu ponto de partida, onde formarão novos tumores chamados metásteses.

A palavra “cancro” é um termo genérico que designa perto de 150 tipos de tumores diferentes, afectando os diversos órgãos do corpo, tecido mielóide (ou medula óssea), que fabrica as células do sangue, assim como o sistema linfático.

Se o cancro é, talvez, a primeira causa de morte em Portugal, seguindo-o de perto as doenças cardiovasculares, nem sempre é mortal já que, mais da metade das cerca de 30 mil pessoas afectadas em cada ano, conseguem uma cura quase definitiva. Pelo menos em teoria.

É bom saber, por outro lado, que as hipóteses de cura aumentam em todos os casos em que o tumor está ainda bem delimitado. Razão pela qual é essencial detectá-lo precocemente, para que haja algumas hipóteses de remissão.

Passando á leucemia, trata-se duma doença grave das células do sangue. Em linguagem corrente, este cancro é também designado cancro do sangue.

O termo leucemia significa literalmente “sangue branco” e provém de que o número de glóbulos brancos se formam na medula óssea. Os leucócitos são um elemento importante do sistema imunitário.

Em função das suas diferentes vias de maturação, dividem-se em granulócitos e monócitos.

Uma parte dos linfócitos desenvolve-se no tecido linfático do corpo humano – “gânglios linfáticos, rata, amígdalas). Chegados á maturação, os leucócitos entram na via sanguínea e cumprem a sua função.

As leucemias estão divididas em duas categorias: as mielóides e a s linfáticas. Os granulócitos e seus estados percursores dizem respeito às leucemias mielóides. As células cancerosas proliferam de modo incontrolado e comprimem as células sãs na medula óssea. No caso da leucemia linfática, o sistema linfático pode também ser atingido. Neste caso, o sangue pode ser invadido por “glóbulos brancos” degenerados.

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Aveiro : Dada como apta para o serviço
Professora com leucemia morre à espera da reforma



Teresa Silva diz que os últimos dias da mãe, Manuela Estanqueiro, professora de Educação Tecnológica em Aveiro, foram marcados pelo sofrimento
Uma professora da Escola Básica 2/3 de Cacia, em Aveiro, a quem há pouco mais de um ano tinha sido diagnosticada uma leucemia, morreu no passado sábado, sem que a aposentação, pela qual batalhara, tivesse sido oficialmente decretada. Manuela Estanqueiro, de 63 anos, tinha sido notícia no CM em Fevereiro, quando a Caixa Geral de Aposentações (CGA) a obrigou a regressar ao trabalho, sob pena de perder o vencimento.
Nessa altura, e tal como a própria testemunhou, “os 31 dias de serviço foram um verdadeiro inferno”, com desmaios e vómitos diários e o agravamento do seu estado de saúde. De tal forma a professora se ressentiu da ordem que lhe foi dada pela CGA que, menos de 15 dias depois, deu entrada nos Hospitais da Universidade de Coimbra e não voltou a ter alta médica.A filha da professora, Teresa Silva, está revoltada com “a cruz que a fizeram carregar” e não poupa críticas à CGA: “A minha mãe tinha mais de 30 anos de serviço, uma doença incurável e debilitante, e nada ficaria a dever ao Estado se lhe tivessem dado a aposentação.”“Acho que alguém tem de ser responsabilizado pelo que se passou e apenas desejo que o caso da minha mãe sirva de exemplo para que outras situações, que sei que existem, não tenham o mesmo desfecho triste”, salienta Teresa Silva.Apesar da batalha que Manuela Estanqueiro travou, sempre com o apoio da comunidade escolar e da Direcção Regional de Educação do Centro, a aposentação só lhe foi concedida uma semana antes da sua morte, apesar de ainda não ter sido publicada em Diário da República. “Mesmo assim, só lha deram porque receberam um relatório médico, que referia uma esperança de vida de um a dois anos”, conta a filha.Teresa Silva está também convencida de que “foi apenas depois da intervenção do Sindicato de Professores da Zona Centro que o processo ganhou novo fôlego”.“A minha mãe viveu os últimos dias constantentemente preocupada com esta situação, que achava de uma injustiça extrema. De tal forma estava atormentada que, quando lhe marcaram nova junta médica em Lisboa, estava ela já internada em Coimbra, queria ir a qualquer custo, nem que fosse de ambulância”, lembra.
APOSENTAÇÃO CHEGOU HÁ QUINZE DIAS
A leucemia de Manuela Estanqueiro foi diagnosticada em Março de 2006, após vários meses de procura dos médicos por uma razão para o seu estado de cansaço crónico. A professora pediu então a aposentação e submeteu-se à primeira junta médica em Novembro de 2006. Enquanto aguardava o desenrolar do pedido feito à Caixa Geral de Aposentações (CGA), Manuela Estanqueiro esteve afastada das aulas por atestado médico, que poderia ser renovado até à data limite de Outubro de 2008. No entanto, um despacho da CGA, de 24 de Novembro de 2006, não só lhe negou a aposentação – por “não se encontrar absoluta e permanentemente incapaz para o exercício das suas funções” – como a obrigou a regressar ao serviço. Manuela Estanqueiro cumpriu as ordens, mas apresentou recurso da decisão. Já internada, a professora recebeu há 15 dias a notícia de que a aposentação fora aceite. Para ela, esta foi uma batalha ganha tarde de mais.
CRÍTICAS AOS CUIDADOS PALIATIVOS
Teresa Silva, que no último ano e meio acompanhou a doença da mãe, é muito crítica quanto aos cuidados paliativos prestados aos doentes do Hospital Infante D. Pedro, em Aveiro, onde a mãe esteve internada nos últimos quatro dias de vida. “Fiquei arrepiada com a forma como a minha mãe foi tratada em Aveiro. Uma médica chegou a dizer-me, com grande frieza, que não valia a pena investir nela, dando-lhe soro de alimento ou transfusões de plaquetas, que já haviam dado provas, porque isso só lhe iria prolongar o tempo de vida e o sofrimento.” Teresa não se conforma que as últimas horas de vida da sua mãe tenham sido de “intenso sofrimento”, quando esta pedia para que a colocassem a dormir e o pessoal médico recusava, “para que as visitas pudessem estar mais tempo com ela”.
Carla Pacheco



Lote de terreno 815m2

Lote, com 815 m2, a 5 minutos de Aveiro, com projecto de arquitecto para moradia R/C e 1º Andar. 55000€.

963197737

Teresa Silva (verdadinha)













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